Não desistimos de lutar pela UCIN do Hospital Dona Estefânia









A concentração “Juntos pela UCIN do Hospital Dona Estefânia” decorreu no passado sábado e o SINDEPOR esteve representado pela nossa dirigente e enfermeira na instituição Marina Afonso.
A concentração demonstrou o descontentamento com a possibilidade de encerramento da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais que integra o único hospital exclusivamente pediátrico da região de Lisboa e funciona há mais de 40 anos como centro de referência nacional.
Recebe recém-nascidos de alto risco provenientes de todo o Centro e Sul do país, bem como Açores e Madeira. Acolhe ainda os recém-nascidos que dão entrada pelo Serviço de Urgência Pediátrica, em estado grave de falência multiorgânica e necessidade de reanimação cardiorrespiratória.
Estes bebés apresentam patologias médicas e cirúrgicas complexas que exigem monitorização contínua, intervenção especializada nas várias vertentes médicas e cirúrgicas e acesso imediato a meios complementares de diagnóstico, que SÓ existem no Hospital Dona Estefânia.
Esta unidade é classificada como UCIN nível III, sendo referência nacional em cirurgia neonatal e acolhe quase metade (46%) dos recém-nascidos com patologia cirúrgica em Portugal. Por este motivo, constitui uma unidade de recurso para várias maternidades e hospitais, incluindo a Maternidade Alfredo da Costa (MAC), Hospital São Francisco Xavier, Hospital Fernando Fonseca e Hospital Garcia de Orta e todos os restantes hospitais do Sul do país e ilhas.
As diferenças entre a UCIN HDE e a UCIN MAC relacionam-se com o contexto em que se inserem, pelo que a UCIN MAC não poderá ter nenhum dos recursos que garantem, neste momento, a diferenciação de cuidados que a UCIN HDE assume no máximo da sua complexidade.
O encerramento da UCIN do Hospital Dona Estefânia terá impactos imediatos e significativos na rede de cuidados intensivos neonatais em Portugal. Eis algumas das consequências previstas:
A diminuição da capacidade de resposta nacional em cuidados intensivos neonatais;
O agravamento da gestão de vagas disponíveis;
A redução da capacidade de intervenção em cirurgia neonatal;
Aumento do risco de atrasos na transferência de recém-nascidos críticos;
Maior probabilidade de incidentes clínicos, complicações graves e aumento da morbilidade e, potencialmente, da mortalidade neonatal.
O encerramento da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do Hospital Dona Estefânia colocará em risco direto a vida de recém-nascidos que dependem de cuidados altamente diferenciados. A perda desta unidade representa retirar acesso a uma equipa experiente e especializada, cuja competência resulta de décadas de formação contínua e prática clínica avançada. Porque mudar é preciso.
